Magali manteve noras em cargos, uma ex e outra atual esposa de seu filho.

Campo Grande(MS) – Alvo da Operação Urutau, a vereadora Magali Picarelli (PSDB) deu emprego para duas noras que não teriam nem sequer trabalhado efetivamente. As duas são alvo de ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que investiga crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, peculato e improbidade administrativa na execução dos convênios da Omep (Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar) e Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária. 

A própria defesa da vereadora confirmou que uma das duas funcionárias, Aline Palma Padilha, se tratava de uma ex-nora de Magali. No entanto, conforme dados levantados pela reportagem, a outra servidora, Kamila de Souza, é a atual esposa do filho da parlamentar. Ambas eram vinculadas ao convênio da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) com a Seleta, recebiam salários por da verba pública, foram cedidas para o gabinete na Câmara Municipal, mas, não cumpriam o expediente. Segundo dados levantados pela reportagem, as duas servidoras não foram encontradas exercendo qualquer função no Legislativo Municipal.

Inclusive, constatou-se que ambas trabalhavam em um cerimonial de casamentos, atendendo como cerimonialistas o dia todo. A defesa confirma que se trata da atual e ex nora da vereadora, mas nega que elas não trabalhavam ou que houve qualquer irregularidade na cedência delas. Uma ficou oito meses e outra um ano. Elas confirmaram que trabalharam,  tinha controle de frequência”, disse o advogado Carlos Marques. Ele defende as ex-funcionárias e Magali. Sobre a suspeita de que as ex-servidoras não cumpriam o expediente no gabinete, mas em uma empresa de cerimonial, o advogado afirmou que o trabalho no outro emprego acontecia somente aos fins de semana, quando havia casamento. Aline e Kamila foram intimadas a depor na quinta-feira (16) e, segundo Carlos, apresentaram documentos que comprovam o trabalho exercido, como folha de frequência, dados referentes às rescisões, à cedência e retorno à Seleta, a Vereadora Magali Picarelli não falou com  imprensa sobre o acontecido.

A suspeita de irregularidades nos convênios já é divulgada há quase um ano e mostra  série de crimes envolvendo os contratos e prendeu a presidente da Omep, Maria Aparecida Salmaze, além de outras duas funcionárias.  Em abril, a Justiça determinou a extinção de todos os convênios do Município com as duas entidades e demissão dos 4,3 mil mantidos com verba pública. Havia prazo para os desligamentos, mas diante fatos como a suspeita de desvio de R$ 26 milhões por parte das entidades, a Justiça determinou a suspensão imediata dos contratos