Vereadora usava duas servidoras da Seleta, elas foram cedidas pela entidade por um ano.

Campo Grande(MS) – Um dos alvos de  condução coercitiva  durante Operação Urutau, a vereadora Magali Picarelli (PSDB) é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) por ter solicitado à prefeitura cedência de duas funcionárias da Seleta para trabalhar em seu gabinete por  1 ano. O Gaeco cumpre três mandados de prisão temporária, 14 de busca e apreensão e sete de condução coercitiva por causa de irregularidades constatadas em convênios entre a prefeitura e  a Omep e Seleta.

Advogado da vereadora, Carlos Marques disse que houve buscas de documentos no gabinete de Magali as 10h30 de terça feira. Magali prestou depoimento   na sede do GAECO. Um dos promotores que participa da operação, Marcos Alex Vera, confirmou que Magali foi a única parlamentar alvo dos mandados. Marques também disse que a solicitação da vereadora para cedência de duas servidoras foi feita diretamente à Secretaria de Assistência Social (SAS).

A princípio, as duas recebiam salários pagos pela Seleta, contratada pela prefeitura. Quando as duas saíram do gabinete, uma delas,  foi demitida pela Seleta. Demissões eram solicitadas pela Justiça desde o início do ano, mas a decisão teve  prazo prorrogado para julho do ano que vem. Na sede da  OMEP, o  Gaeco fez  cópias e backup de arquivos.  O advogado da          o Omep, Laudson Ortiz, afirmou que a investigação pode estar relacionada à esfera criminal.

Na cível, corre processo que questiona convênio com a prefeitura e repasses. No primeiro semestre deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) constatou irregularidades na contratação de terceirizados via Seleta e também Omep. Entre elas remuneração diferenciada ou desproporcional em cargos  com as mesmas  funções. Há casos, segundo o MPE, em que o contratado não atua no Executivo, mas sim em empresa própria.

Além de pedir que as irregularidades sejam sanadas, o órgão pede para que os cargos sejam preenchidos com pessoal contratado via concurso público.  Decisão  do juiz David de Oliveira Gomes Filho, titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou a demissão dos funcionários. Além disso, o município está proibido de realizar novas contratações  pelas  entidades, sob pena de multa de R$ 10 mil por pessoa. Apesar da promessa de demissões, não houve, até agora, nenhuma ação da prefeitura com relação ao desligamento destes funcionários terceirizados. 

 

Da redação.

Foto Bruno Henrique/ Correio do Estado.