Líderes do CV que ordenavam homicídios em Três Lagoas, presos em Cuiabá, são transferidos para presídio federal.

Campo Grande(MS) – Mesmo recolhidos na Penitenciária Central de Cuiabá (MT), os presos Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva, apontados como lideranças do Comando Vermelho (CV), continuavam ordenando ataques e homicídios contra integrantes de facção rival em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. A atuação criminosa foi identificada durante investigação conduzida pela Polícia Civil de Três Lagoas, que revelou que ambos permaneciam exercendo funções de comando da organização criminosa mesmo custodiados pelo sistema penitenciário mato-grossense. Diante da gravidade dos fatos, por determinação do Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário pela inclusão emergencial dos dois custodiados no Sistema Penitenciário Federal, medida que contou com parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e foi deferida pela Justiça Federal.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN), onde passarão a cumprir pena sob o regime de segurança máxima destinado a lideranças de organizações criminosas de alta periculosidade.

A decisão possui caráter inédito para Mato Grosso do Sul. Pela primeira vez, um pedido formulado pelo Estado resultou na transferência de presos custodiados em outro sistema prisional estadual diretamente para uma unidade do Sistema Penitenciário Federal, diante da comprovação de que continuavam comandando crimes em território sul-mato-grossense.

As investigações apontam que os dois presos exerciam funções de liderança dentro da estrutura do Comando Vermelho e são apontados como mandantes de, pelo menos, três ataques ocorridos nos últimos dias em Três Lagoas, praticados no contexto da disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os elementos reunidos pela Polícia Civil, ambos mantinham influência sobre integrantes da facção, recebiam e transmitiam ordens, articulavam ações criminosas e continuavam coordenando homicídios qualificados mesmo durante o cumprimento da pena.

Ao deferir o pedido, a Justiça reconheceu que os investigados possuem elevada periculosidade, exercem funções de comando na organização criminosa e que a permanência deles no sistema penitenciário estadual do estado vizinho mostrava-se insuficiente para impedir a continuidade das atividades ilícitas. A decisão também destacou que a atuação dos investigados contribuiu para a intensificação da violência em Três Lagoas, onde, em apenas três dias, foram registrados diversos atentados, com mortes, relacionados à disputa entre facções criminosas.

O Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, determinou que esta passará a ser a diretriz adotada pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul. Sempre que integrantes de organizações criminosas, mesmo presos em qualquer unidade da Federação, continuarem ordenando ataques, homicídios ou outras ações criminosas com reflexos no Estado, a Polícia Civil adotará imediatamente as medidas legais cabíveis para requerer sua inclusão no Sistema Penitenciário Federal. A medida integra a estratégia do Governo do Estado de enfrentamento ao crime organizado e tem como objetivo interromper a cadeia de comando das facções criminosas, preservar a ordem pública e impedir que liderança. Com informações da Assessoria de Imprensa da SEJUSP

Da Redação

Foto; Divulgação PC