Campo Grande(MS) – Em 14 de dezembro de 2023, durante sessão da Câmara Municipal da Capital, Tiago Vargas fez comentários ofensivos à ativista, cultural Thalya Ariadna Palhares Veron, motivados pela presença de pelos nas axilas da mulher, de acordo com a decisão, proferida pelo juiz Renato Antonio de Liberali, da 11ª Vara Cível. Além de promover deboche durante a sessão, Vargas publicou, uma foto e um vídeo de Thalya em seu perfil no Instagram, que possuía 100 mil seguidores à época.
A postagem resultou em 850 comentários em menos de 24 horas, muitos deles com conteúdo ofensivo e discriminatório. A autora relatou ter sido alvo de xingamentos como “burra”, “porca”, “noia”, “nojenta”, “vagabunda”, “macaca”, entre outros. Ela registrou boletim de ocorrência contra o ex-parlamentar e informou, nos autos, que as consequências dos ataques resultaram em sofrimento psicológico, crises de ansiedade e medo.De acordo com a sentença, “a repercussão à publicação foi significativa, com milhares de visualizações e comentários ofensivos, inclusive de cunho racista e misógino”.
Ainda segundo o processo, quando foi questionado pela imprensa sobre o caso, o ex-vereador gravou áudios, posteriormente divulgados em sua rede social, nos quais ironizou a situação, disse que daria um kit “Prestobarba” à vítima, que ela deveria “tomar vergonha na cara” e “ir trabalhar”.
Em sua defesa, Tiago Vargas justificou que estava amparado pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão, além de ter negado a existência de danos morais. No entanto, o juiz considerou que as garantias não são absolutas e não isentam a responsabilidade civil nos casos de abuso.
As testemunhas ouvidas em juízo confirmaram que a vítima passou a sofrer ameaças e humilhações após o episódio, o que levou à mudança de cidade, ao afastamento de atividades profissionais e à busca por tratamento psicológico. O ex vereador Tiago Vargas pode recorrer da decisão.
Da redação
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