Ouça: Em 16 anos, os partidos políticos brasileiros perderam quase 1,5 milhão de jovens filiados.

Campo Grande(MS) – É o que o que mostra o levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, feito a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral. Entre 2010 e 2026, a filiação de jovens de 16 a 34 anos caiu 54%, recuo de 2,7 milhões para 1,2 milhão de filiados na faixa etária. Para Murilo Medeiros, é um dos maiores esvaziamentos da militância partidária do período recente. O esvaziamento não é exclusivo dos jovens: o Brasil terminou 2025 com pouco mais de 16 milhões de filiados a partidos políticos; Hoje, pouco mais de 10% do eleitorado brasileiro está filiado a algum dos 30 partidos registrados no país. Parte da queda em 2025 tem explicação administrativa: em setembro daquele ano, uma revisão da Justiça Eleitoral excluiu 122 mil registros irregulares, entre cadastros antigos, dados inconsistentes e até pessoas já mortas que ainda constavam como filiadas. Mas o esvaziamento entre os jovens parece ter raízes mais profundas do que a faxina de cadastro. Para o cientista político Murilo Medeiros, o modelo de organização partidária não acompanhou a transformação digital da política:

 

O estudo também conclui que o perfil dos jovens mudou. Enquanto as principais pautas deles giravam em torno de acesso, agora, eles prezam muito por autonomia.Apesar das perdas gerais, olhando as legendas separadamente, nem todas perderam espaço entre a juventude. Entre 2022 e 2026, o PL angariou mais de 20 mil novos filiados jovens, impulsionado pelo bolsonarismo e por lideranças como Nikolas Ferreira. O Novo, outro partido de direita, cresceu mais de 10 mil filiações no mesmo público. À esquerda, PSOL e Rede também tiveram saldo positivo: pouco mais de três mil, cada.Enquanto isso, legendas tradicionais amargaram perdas expressivas: o PSDB perdeu quase 50 mil jovens filiados; o PDT e o MDB, quase 36 mil cada. O PT perdeu mais de 45 mil, deixando de ser a principal porta de entrada da militância jovem no campo progressista. Luiza Wosgraw, Diretora da Ong Politize opina.

 

O afastamento da militância partidária tradicional também se reflete nas urnas. Pelas contas do TSE, a participação de eleitores de até 18 anos deve cair nas eleições de 2026 em relação ao pleito de 2022, apesar de uma campanha promovida em parceria com o Unicef para reverter a tendência. São 606 mil eleitores a menos nessa faixa etária, retração de 14,5%, mas o TSE classifica a variação como “praticamente estável”.

Da redação 

Foto Rádiowebms