Campo Grande(MS) – A sexualização e silenciamento de meninas são situações indesejadas que já foram presenciadas por sete em cada dez professores. Esse dado é de um estudo inédito da ONG Serenas, que trabalha na prevenção de violências.A escola deve ser um espaço de enfrentamento à violência, e não de risco. E isso, desde cedo — é o que ressalta Thais Luz, coordenadora geral de acompanhamento e combate à violência nas escolas, do Ministério da Educação.Thais entende que, historicamente, esses temas ficaram ausentes da formação dos professores, se tornando um desafio estrutural. Para mudar essa realidade, o MEC tem investido na formação continuada de professores no enfrentamento à violência, como o programa “Escola que protege”, além de cursos e materiais desenvolvidos.
Janaina Penava, professora de Direito da Universidade de Brasília, acredita no poder transformador da escola se professores e professoras forem formados para ler o mundo a partir de lentes de gênero.Recentemente, o governo lançou um pacote de ações do Ensino Básico à Educação Superior que inclui no currículo conteúdos sobre o combate à violência contra meninas e mulheres.O psicólogo Alexandre Coimbra do Amaral concorda que a questão de gênero deve ser obrigatória na grade escolar. E alerta sobre os movimentos que são contra.Para o psicólogo, ações inadequadas dos meninos não devem ser respondidas com condutas punitivas. Ele afirma que é preciso promover um diálogo que envolva também as meninas.Alexandre ressalta que a própria criança que está agindo de forma agressiva pode ter sido a vítima em outras circunstâncias. Segundo ele, a história da psicologia mostra que “onde a palavra não pode existir, há adoecimento psíquico”.A pesquisadora Valeska Zanello destaca o papel fundamental das escolas para promoção do letramento de gênero. Para ela, um ciclo de violência familiar – se a mãe e a avó apanhavam – não dá ao homem o direito de usar a violência quando desobedecido.
Um aprendizado que não é só na escola e na família. Como pai de dois meninos e duas meninas, o orientador familiar Peu Fonseca observa a influência do mundo externo.Thais Luz, do MEC, defende que a mobilização no enfrentamento da violência contra meninas e mulheres deve ultrapassar o muro das escolas; mas esses espaços devem ter um papel articulador. Com informações da Rádio Agência Nacional.
Da redação
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